• Brasília, 22 de Junho de 2018

BRASIL

Cada vez mais decisões são delegadas a máquinas, diz cientista na Campus Party

Cappra destacou que, nos últimos anos, foram desenvolvidas ferramentas sofisticadas para o consumo da informação. “Começamos criando relatórios para saber o que estava acontecendo. Aí, vieram os sistemas e criamos dashboards [painéis que mostram métricas e indicadores para alcançar objetivos e metas, traçados de forma visual] para chegar à  informação. Começamos também a usar os algorítimos, a inteligência artificial, até chegar aos sistemas que são usados atualmente.”

 
Para o cientista, por este motivo é que as decisões em diversos níveis foram ficando cada vez mais delegadas a sistemas artificiais. Desde os programas e aplicativos, que vão levando seleções de músicas e filmes para os usuários, até as empresas, que baseiam estratégias comerciais nas projeções, feitas a partir de dados coletados na internet e processados por computadores. “O motorista não vai mais precisar determinar a rota que vai fazer, pois o [aplicativo] Waze já está fazendo isso”, disse.
 
“Nós, humanos, que estamos aqui na ponta, e usamos tudo isso, estamos, na verdade, decidindo menos do que as máquinas. Porque elas têm mais dados, informações, processam isso. E nós, como seres humano, ficamos diminuindo o nosso processo decisório a partir disso. Então, cada vez, transferimos mais o processo decisório para as máquinas, e nos tornamos  insignificantes no processo decisório”, acrescentou.
 
“O nosso próximo passo é a inteligência aumentada. O que significa inteligência aumentada? As próprias máquinas, baseadas nas aprendizagens que ensinamos, tomam as decisões”, disse, apontando em qual direção as tecnologias vêm se aprimorando.“
 
Neste cenário, Cappra afirma que é fundamental saber se organizar para analisar as informações e tomar decisões, além dos resultados apresentados pelas máquinas. O especialista mostrou exemplos baseados em modelos gráficos, que ajudam a visualizar os padrões fornecidos pelos dados.
 
Análise e crítica
 
Para Cappra, é fundamental que as pessoas aprendam a separar as notícias de forma crítica e analítica. “Temos que aprender a consumir a informação certa, para poder analisá-la como um ser humano, que é uma capacidade que a máquina não tem”, afirmou.
 
O principal evento de internet e tecnologia do país trouxe, ao longo desta semana, debates, oficinas e palestras sobre temas como inovação, ciência, cultura, universo digital e empreendedorismo. A Campus Party termina no domingo (4).