POLÍTICA

O gesto cívico altruísta de Bivar a Bolsonaro

A redemocratização (1985) prometia a política nacional o fim do bipartidarismo, que engessou por décadas a vanguarda, e impediu a renovação de seus quadros representativos. Criação do pluripartidarismo foi a ideia oportuna e adequada, simbolizando uma alforria ideológica, abrindo novos espaços onde se abrigariam descontentes, despontaria nova liderança, e se revelariam talentos possuidores de valores latentes. Infelizmente as velhas práticas se imiscuíram no novo modelo, transformando em pouco tempo, as legendas em “oligarquias” institucionais, sob o controle pessoal de uma só pessoa ou grupo, defensor de interesses particulares, assegurando cadeira cativa no Poder.     
  
Início do ano de 1989, o Brasil já tinha mais de duas dezenas de Partidos registrados no TSE. O então pré-candidato à Presidência da República - Governador de Alagoas Fernando Collor de Melo - ao atingir 10% das preferências de votos do eleitorado nacional, não encontrou uma única sigla que lhes filiasse para disputar o pleito daquele ano, primeira eleição direta após um longo jejum de 29 anos. Teve que criar na vigésima quinta hora, uma agremiação - para não ficar fora da disputa.
 
Ao longo das últimas duas décadas, os partidos têm se fortalecido com as injeções financeiras do Fundo Partidário. 
 
Perderam sua originalidade, que se constitui no processo de ascenção e conquista do poder, através da expansão geométrica proporcionada pela multiplicação de seus filiados. Seus comandos se perpetuam e seletivamente, escolhem os postulantes a cargos eletivos, ou celebram coligações no formato leilão: vence a melhor oferta em dinheiro e cargos nos Poderes.            
 
Um gesto cívico, digno de registro, foi patrocinado pelo Presidente Nacional do PSL -  deputado federal Luciano Bivar. Mesmo sabendo que sua legenda receberá este ano, alguns milhões de reais para o financiamento público de campanha, tomou a iniciativa altruísta de ceder toda a sua direção aos Bolsonaristas. Gustavo Bebianno é o novo Presidente Nacional do PSL, ligado ao Deputado Jair Bolsonaro, que buscava uma agremiação política compatível com seu discurso, onde não estivessem hospedados velhos caciques da política.      
    
Luciano Bivar tem hoje uma visão futurista de como funcionarão as legendas após as eleições de outubro próximo. O bônus de bilhões de reais para financiamento de campanhas exigirá a contrapartida do ônus de uma reforma eleitoral, principalmente na reestruturação dos Partidos. Plenárias e Prévias para a escolha de candidatos as chapas majoritárias e eleições diretas para escolha de Presidentes das siglas serão exigências da população, na busca constante de transparência do dinheiro do contribuinte.
 
Da redação (publicobrasil.com.br).