• Brasília, 22 de Junho de 2018

POLÍTICA

“Algo incompreensível entre os brasilienses é o foco de trabalho do Rollemberg”, diz Justino Carvalho

Brasília - Especialista em administração pública, auditor federal aposentado Justino Carvalho(foto) conversa com a nossa equipe sobre a atuação da atual gestão do GDF. Segundo o perito em gestão do dinheiro público, a queda do viaduto no Eixão demonstrou a ferida do atual governo, com a falta de manutenções básicas no dia a dia da capital do Brasil. 
 
Pelo fato de ter nascido na capital federal, Justino Carvalho acredita não haver prudência com os últimos governos na condução da coisa pública e que o mal-uso de impostos arrecadados prejudicam serviços essenciais a sociedade.
 
Confira a entrevista com Justino Carvalho – Especialista em despesas públicas:
 
Público Brasil: Após a queda do viaduto no Eixão, como podemos avaliar a atuação do GDF na prestação de serviços à população? 
 
Justino Carvalho: Infelizmente no DF, governos anteriores e principalmente o atual, viraram as costas para toda a população, no centro ou nas cidades satélites. E sobre o viaduto, Rollemberg não levou em consideração nem o relatório do Tribunal de Contas da União (TCDF), emitido em 2012.  O documento elaborado pelos auditores do tribunal alertava todos os órgãos do GDF sobre o péssimo estado de conservação de diversos bens públicos e a necessidade prioritária de manutenção. Dentre os reparos mais necessários estavam: Viaduto DF 002 (justamente o que desabou), na Ponte do Braghetto (localizada no final do Eixão Norte), na Ponte Honestino Guimarães (situada na Asa Sul), e outros situados no centro da capital.
 
Se providências básicas como limpeza constante dos monumentos, reparos básicos e até manter iluminação pública de qualidade eles não conseguem, proteger com eficácias as estruturas se tornou algo impossível para os últimos gestores do GDF.
 
Público Brasil: Além da falta de reparos nos viadutos do DF, há um outro setor em situação precária no DF? Pode citar um exemplo?
  
Justino Carvalho: Um outro exemplo de má gestão é o asfalto de Brasília. Segundo os padrões internacionais, a espessura do asfalto deve ter no mínimo 6 centímetros. Na capital do Brasil as pistas são confeccionadas com menos de 3 centímetros de profundidade. O serviço é feito de maneira ineficaz e no período das chuvas aparecem as operações “Tapa-Buracos”. Ao ser feito os reparos com materiais de baixa qualidade, a situação dos assaltos do DF fica pior e consequentemente, é gasto mais dinheiro público de maneira errada. Todo esse prejuízo vai para o bolso do contribuinte de duas maneiras. São elas: impostos infinitos a serem pagos pelo cidadão e também os estragos irreparáveis a veículos, pagos pelos condutores de maneira integral. Eu mesmo já passei por isso e sei a gravidade desses transtornos.
 
Público Brasil: Como que a população do DF é a parte mais prejudicada diante de um governo ineficaz? 
 
Justino Carvalho: Os governos ineficientes na condução da coisa pública fazem com que o povo mais necessitado de todo o Distrito Federal pague de maneira exorbitante a má gestão do DF, sem obter um retorno ideal na prestação do serviço público de boa qualidade. Enquanto os cofres públicos são alimentados com impostos como IPVA, IPTU, ICMS, ISS e outros, o Estado concede migalhas à população do DF. Basta olhar a situação do sistema de saúde pública nos hospitais do DF para entender isso de maneira clara.  
 
Público Brasil: Falta clareza aos brasilienses para compreender a gestão do governador Rollemberg?
 
Justino Carvalho: Algo incompreensível entre grande parcela dos brasilienses é o foco de trabalho do senhor governador Rodrigo Rollemberg. Enquanto falta manutenções para os viadutos, a fiscalização eletrônica de trânsito do DF é de última geração. O motivo é mais simples do que se imagina: todo o sistema de trânsito do DF é uma potencial fonte de arrecadação de dinheiro. Multas e taxas arrecadadas pelo Departamento de Trânsito do DF (Detran), têm atenção especial do GDF.
 
O problema é saber para onde vai todo o dinheiro arrecadado pelo GDF, sendo que atualmente existem mais de 2 milhões de veículos cadastrados no sistema governamental. 
 
Público Brasil: Pode-se dizer que faltou experiência para a equipe de Rodrigo Rollemberg?
 
Justino Carvalho: O senhor governador é um homem tarimbado no campo político, já foi deputado distrital, federal e senador, poderia fazer muito mais pela sociedade. Porém, falhou demais em diversos aspectos. Além de prejudicar o povo, destruiu também todo o serviço público. Usou e abusou do poder para evitar que os funcionários públicos da saúde entrassem em greve, para reivindicar os direitos. Colocou a polícia para prender de maneira grotesca professores que faziam protesto cobrando melhorias de trabalho. 
 
Além de censurar diversas propagandas dos servidores, criticando as atuações do governo. E a retirada de recursos do IPREV-DF, pode trazer mais problemas no serviço público em breve. 
 
Público Brasil: Para o senhor, o que a população do DF mais necessita no momento?
 
Justino Carvalho: De prestação plena de serviço por parte dos governos, em todas as áreas.  Hoje é quase impossível tirar um alvará de funcionamento nos órgãos do governo. O setor produtivo sofre com a diversidade de burocracia nos órgãos do GDF. Enquanto isso, nos Estados Unidos em no máximo 04 dias o comerciante consegue resolver todas as pendências administrativas para dar início em um empreendimento. 
 
Público Brasil: A sociedade brasiliense cansou da política?
 
Justino Carvalho: O povo está cansado de ouvir promessas não cumpridas. Onde está todo o plano de governo apresentado pelo governador durante a campanha eleitoral? Atitudes como a do atual governo desestimula as pessoas, faz com que percamos a esperança de uma Brasília melhor. Muitas pessoas dizem que não há mais esperança no voto, pois faltam personalidades de bom caráter para governar Brasília no atual cenário político. Há muito desânimo com as figuras políticas atuais, em todas as esferas. Com isso, acredito que em 2018 será um ano de muita renovação, entrarão agentes públicos novos no poder com foco em trabalhar em prol da melhoria da condição de vida do brasiliense.