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Memorialista defende nome de André Amaral para Ministério da Cultura

Campina Grande(PB) - Em artigo, Jornalista e Memorialista Júnior Gurgel defende a indicação do Deputado Federal André Amaral(PMDB/PB) para o Ministério da Cultura(MinC). Critica, “queimação” de setores da mídia Paraibana (Palaciana), fazendo analogia ao êxito dos demais Ministros que representaram nosso Estado, a partir do Escritor José Américo de Almeida: não entendia de Obras e se tornou um dos melhores membros da equipe de Getúlio Vargas (1931).
 
Confira:
 
"DISCRIMINAÇÃO - por Júnior Gurgel
 
Não entendemos os motivos – se é que existem – originados através de alguns integrantes da mídia paraibana (Palaciana) assentada na Capital, que tentam desqualificar os méritos do Deputado Federal André Amaral (PMDB-PB), em vias de ser nomeado Ministro da Cultura do Brasil.
 
Se a alegação é que o Deputado não é autoridade na área da Cultura, o argumento por si, já mostra o grau de ignorância daqueles que o combatem. O que entendia o Ministro José Américo de Almeida de Obras Públicas, Comunicações, Estradas e Açudagem? Tão Jovem quanto André Amaral foi escolhido para função pela Junta Governativa da Revolução de 1930, chefiada pelo ex-presidente Getúlio Vargas. Campina Grande até hoje agradece esta indicação, pois se não fosse José Américo, o açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), não teria sido construído e a cidade estagnaria em 30 mil habitantes, pela mais absoluta falta de abastecimento d’água. Antes, se abastecera dos açudes novo (hoje Parque do Povo), velho – o cartão postal da cidade – muito embora seja o receptador dos seus esgotos, e Gado Bravo, primeira adutora construída por Argemiro de Figueiredo, quando Interventor do Estado.
 
José Américo de Almeida perfurou e instalou dezenas de poços na Paraíba, além de ter aberto novas estradas e ampliado à malha ferroviária existente. Ah! O Imortal da Literatura Brasileira não era Engenheiro, nem “autoridade no assunto”. Formou-se em Direto na Faculdade Joaquim Nabuco no Recife. Foi Promotor Público de Sousa-PB; Guarabira; Diretor do Liceu Paraibano de Artes e Ofício e um profundo estudioso da Filosofia, Sociologia e Geografia Humana. Aprendeu o que realizou no cargo, e nos desafios que o Ministério lhes impôs.  Saudoso Ministro deixou marcas e legados de sua gestão – muito embora de curta duração – reformando o IFOCS e transformando-o no DNOCS. Fundou os Correios e Telégrafos (antes Departamento), as Companhias Marítimas; Federalizou e modernizou os Portos...
 
Desde a redemocratização, quando a Cultura foi desmembrada do Ministério da Educação, criou-se uma celeuma na área, em função das escolhas. Os Ministros nomeados para a “área” eram escolhido pelo seu “glamour” do mundo artístico. O nome vinha das artes cênicas (teatro, cinema e televisão), ou de uma “divindade” da música. Erro intolerável, pois Cultura não se resume apenas nestes dois segmentos. O seu ponto mais forte, o Folclore foi totalmente desprezado. Os Museus, aqueles que não estão fechados, são subsidiados pela iniciativa privada. A literatura? Simplesmente desapareceu.  
 
Com ela, foi também nossa poesia e o cordel. As festas populares, além de não serem divulgadas, não se inserem no roteiro turístico nacional e principalmente internacional. Exceto Carnaval do Rio de Janeiro e Festival de Parintins.
 
Num país de contradições excêntricas, o melhor Ministro da Saúde das últimas décadas – criador do SUS - não foi um Médico Sanitarista. Foi um Economista – cuja formação não se sabe se é reconhecida no Brasil – já que concluiu o cursou no Chile quando esteve exilado por lá: Ex-governador, Senador José Serra (PSDB-SP).
 
Todo Estado da Federação luta por um Ministério, porque sabe de sua importância, e do poder de caneta – mesmo limitado – do seu titular, que privilegia suas origens. Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro foi nomeado para o Ministério das Cidades. Sofreu críticas semelhantes, as que no momento são dirigidas a André Amaral. 
 
Logo após sua posse, veio a Campina Grande – sua terra natal – e não foi recebido pelo então Prefeito Veneziano Vital do Rêgo. Talvez, as questões “paroquianas” do momento – sua irmã Daniela Ribeiro era candidata da oposição à gestão - impediram o ex-cabeludo de saudar festivamente um Ministro de Campina Grande. Mas, nem por isto Aguinaldo esqueceu a Rainha da Borborema. Coroou a gestão de Romero Rodrigues, construindo em Campina Grande mais de quatro mil casas. Uma verdadeira cidade, levando-se em consideração o cálculo de quatro habitantes por residência.
 
Além deste conjunto, outros convênios do programa Minha Casa Minha Vida deu a Campina Grande o “status” de cidade sem déficit habitacional. Recursos extra-orçamentários e orçamentários vieram para pavimentação, esgotamento sanitário; abertura de novas ruas e avenidas. Tratamento idêntico foi dado também a João Pessoa, que hoje ainda conclui programas do Ministério das Cidades, gestão do Deputado Aguinaldo Ribeiro.
 
Numa rápida passagem do então Senador Ney Suassuna pelo Ministério da Integração Nacional – fato noticiado com euforia pela mídia da Capital que recebia adjutórios do “notável” Senador empreendedor - causou estranheza em todo o Nordeste e gerou críticas na grande mídia nacional quando foi nomeado, em função de sua formação: Professor e proprietário da melhor rede de Colégios, Faculdades do eixo Rio/São Paulo. O cargo adequado não seria a Educação? Ney abraçou a causa da transposição, fez as licitações e iniciou as obras físicas na estação de captação. A Paraíba hoje se beneficia deste ato, que não se limitou ao início da transposição. Foi mais além e ajudou a resolver em definitivo a carência de abastecimento da cidade de Patos-PB, dezenas de outros municípios do sertão e região do sabugy.A adutora trazendo água de Coremas até Santa Luzia teve aporte de recursos do Governo do Estado, porém, expressivos investimentos do Ministério da Integração Nacional. De lá, Ney também “arrancou” a barragem de Acauã, que abastece mais de uma dezena de cidades e sustenta um grande projeto de irrigação. Priorizou a construção de Camará (a primeira que a água levou) e contribuiu com o projeto das adutoras do Governo Maranhão II, o “Governo das águas”.
 
 
Ministério exige habilidade de gerenciamento, capacidade de reunir uma boa equipe; vontade de trabalhar; bom ouvido para acatar sugestões; entusiasmo e foco para levar a cabo milhares de projetos empoeirados em suas prateleiras. André Amaral reúne estas características. É jovem e Paraibano. Chega de discriminação. 
 
 
Júnior Gurgel – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa."